Crítica XXI

Portugal é há quase meio século governado pelas esquerdas. Se estendermos a ideia de poder ao campo cultural, podemos dizer que esse domínio é até anterior à Revolução e permanece mesmo quando as direitas governam. 

Disto não resulta apenas que as direitas e o seu pensamento sejam mal conhecidos; resulta uma atmosfera cultural e mediática acomodada e maniqueísta sem espaço para a interrogação crítica. 

Crítica XXI quer dar a conhecer a tradição intelectual das direitas e os seus desenvolvimentos actuais, olhando para valores, ideias e princípios com liberdade incondicional.

NÚMERO 13 . OUTONO 2025

Este número 13 da Crítica XXI, o primeiro do nosso quarto ano de publicação, abre com um texto de Jaime Nogueira Pinto, “Há 50 anos – o fim do Império Português”, em que se recorda a história e o significado, para Portugal, do Império ultramarino nas suas sucessivas fases – o Oriente, o Brasil e a África –, e a sua essencialidade para a massa crítica político-territorial face a Espanha e para a importância do país.

Em 24 de Novembro de 1925, há cem anos, nascia F. Buckley Jr., o mais importante intelectual da direita nacional-conservadora norte-americana no século XX. Além da sua obra de intelectual empenhado, remando contra a forte maré da Esquerda marxista, pós-marxista e liberal-chique, Buckley e a sua National Review marcaram o espaço da direita política pensante dos anos 50, e da derrota de Goldwater (1964) à vitória de Reagan em 1980. Como observa Gonçalo Nabeiro no seu artigo “Standing Athwart History – o centenário de William F. Bucley”, as ideias do vencido de 64 e do vencedor de 80 eram mais ou menos as mesmas. O que mudou foi o trabalho intelectual e os recursos para as divulgar.

São Tomás de Aquino nasceu há 800 anos, em 1225, e morreu em 1274. Nesse meio século de vida, produziu uma obra monumental que determinou muito do pensamento ocidental. No texto que dedica ao Doutor Angélico (“São Tomás de Aquino – o que lhe deve a Política”) Carlos Maria Bobone sustenta que é no conjunto da obra de São Tomás, e não nos seus escritos especificamente políticos, que temos de encontrar a essência do seu contributo para a Política.

Segue-se uma outra efeméride, os 80 anos do Julgamento de Nuremberg. Hitler e Goebbels já se tinham suicidado para evitar a humilhação da prisão; e dos dirigentes sobreviventes do III Reich que foram a julgamento muitos, a começar por Göring e Himmler, também aproveitaram para se suicidar. Em “O processo de Nuremberg ou a Terra Prometida”, Miguel Freitas da Costa historia o célebre processo político e o seu relato noticioso, os jornalistas acreditados, as personalidades presentes e ausentes, os livros e filmes que lhe foram dedicados.

Alexandr Dugin é um pensador russo que muitos consideram “o intelectual de Putin”. É capaz de não ser, até porque os políticos no activo raramente têm mentores vivos. Dugin é um nacionalista russo, talvez próximo do que os americanos chamam um paleo-conservador, e que tem teorizado, a contra-corrente, a novíssima ordem mundial da idade das grandes potências. É a partir de A Revolução Trump, a mais recente das suas obras, que Jorge Castela escreve o artigo “Trump e Putin vistos por Alexandr Dugin”.

Há uma polémica acerca do 25 de Novembro com episódios recentes. À direita sublinha-se que se não fosse essa data e o contragolpe dos Comandos e da Força Aérea corríamos o risco de ter uma ditadura esquerdista-comunista; à esquerda, desvaloriza-se, ou então valorizam-se como protagonistas o Grupo dos Nove e o Partido Socialista. Em “O 25 de Novembro sem mistérios” Rui Ramos repõe a História nesta história.

Por fim, nas Notas Críticas, Miguel Freitas da Costa escreve sobre a Lusitânia no Astérix a propósito do último número da série, Astérix na Lusitânia; Eurico de Barros  sobre Gérad Lauzier, a banda desenhada e o cinema à direita; e Jaime Nogueira Pinto sobre Camilo, José Vieira de Castro e José do Telhado no livro de Onofre dos Santos O último romance de Camilo; e ainda sobre a recente publicação de um colectivo de generais sobre o papel da Força Aérea no 25 de Novembro.

DIRECÇÃO JAIME NOGUEIRA PINTO E RUI RAMOS