Neste número 14 da Crítica XXI, referente ao Inverno de 2026, Jaime Nogueira Pinto, em “De que falamos quando falamos de valores europeus?”, faz uma pré-publicação do livro Valores Europeus: Uma Longa História, a lançar pela Dom Quixote no fim de Maio. Nele procura, numa perspectiva de História das Ideias, identificar e avaliar os valores que fizeram e vão fazendo a Europa.
José Maria Cortes em “O que Prometeu não cumpriu” fala dos limites antropológicos do político e da dificuldade de concretização entre “bens sociais” conflituantes.
Em “Patrimonialismo Positivo”, Orlando Lima procura identificar a “cultura estratégica da nação brasileira” para concluir, citando Raymundo Faoro, que “o Brasil é, na sua essência, um país patrimonialista”. Uma realidade que às vezes as instituições não querem reconhecer.
H.P. Lovecraft é um escritor muito especial: João Vaz discute as ideias políticas do autor de The Strange Affair of Charles Dexter Ward, identificando no mestre do mistério e do terror um “conservadorismo estético” que entronca em autores como Edmund Burke e Roger Scruton, acabando numa clara nostalgia e reinvenção do passado.
Em “A ONU, o uso da força e o Direito Internacional” Manuel Almeida Ribeiro analisa o momento actual da sociedade internacional, entre uma “ordem internacional liberal” em crise e uma nova ordem de grandes poderes que ainda não se consolidou.
Carlos Maria Bobone em “O Negro” faz uma análise histórica e político-cultural daquilo que habitualmente se designa como “cultura negra”. Para o autor do ensaio, tema da capa desta edição de Crítica XXI, é falsa a “grelha de esquerda que inseriu a cultura negra no ciclo dos oprimidos”, transformando-a numa “versão mais colorida da luta de classes”.
Continuando com a história das instituições portuguesas, Rui Ramos escreve sobre Manuel de Arriaga, o “fidalgo de democracia que inventou a Presidência da República”, desmistificando as narrativas incensatórias da Primeira República e revelando a resistência de Arriaga ao autoritarismo jacobino de Afonso Costa.
Este número conta ainda com duas notas críticas de Miguel Freitas da Costa (O Plano de David Graham e Para lá do Muro de Katja Hoyer) e uma de Jaime Nogueira Pinto (Tudo Sobre Deus de José Eduardo Agualusa); Jorge Costa Braga escreve sobre “Os Três séculos d’O Leopardo” analisando o livro de Lampedusa, o filme de Visconti, e a nova minissérie da Netflix.
DIRECÇÃO JAIME NOGUEIRA PINTO E RUI RAMOS

